

















Ser um viajante que percorre territórios em construção, procurando tornar visível, o que ainda não foi nomeado... lançar escadas para o desconhecido. Como continuar a construir este corpo? Mas, não se trabalha com memórias, porque estas também se constroem. Trabalho com sobreposições/acumulações de sentidos, de registos, de objectos de natureza diferentes (serão?). Em “A Cidade Entaipada I” de 2000, situações aparentemente contraditórias devolvem-nos interrogações, mais do que respostas. Em “Alvo ou Bandeira?”, de 2006, as duas imagens, já de si parciais, anulam-se ou somam-se? Nalguns desenhos, a sobreposição de elementos visuais questionam o espaço, e embora estejam carregados de energia, parecem que não estão estabilizados. Talvez esta acumulação se expresse pela necessidade de tornar visível, o tempo, como na pintura “SILÊNCIO”de 2006, em que essa palavra foi reescrita, mas não totalmente sobreposta, aquando da primeira vez. |
Imagino que os meus trabalhos, eles próprios desenham uma linha: umas vezes mais recta, outras mais quebrada, outras mais interrompida, por vezes circular ou espiralada. Trabalho, por vezes, duas pinturas em simultâneo, não para que haja repetição, mas como que uma servindo de reflexão à outra. (Linha mais recta?) Outras vezes, trabalhos feitos com anos de intervalo, podem apontar para “preocupações” próximas, como “Ao Luar” de 2006, em que a escada (aqui duplicada) é um elemento também usado como no trabalho, já referido “A Cidade Entaipada I”. Em ambos os casos, esse elemento não nos serve para “explicar” a presença das figuras humanas, ou do contexto criado. (Linha interrompida?) Mas, não há repetição, há um ressoar… Aliás, representação de escadas, tem sido recorrente no meu trabalho: desenhada, pintada, escultura de parede, objecto. Como se houvesse o mote e sobre ele a improvisação. (Linha espiralada?) Esta linha que se está continuamente a desenhar, quer conter energia, esse sopro que não se explica, que existe num quarteto de cordas, num poema, ou no silêncio errante, que ecoa por não ser surdo. |
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Exposição "Silêncio Errante" no Centro Cultural de Cascais, 2008 |
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| Projecto da Exposição, Célia Anica Arquitectura Lda. | |||||||
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